parte I (a lunática)

Seria uma menina comum não fosse a imaginação. Tinha uns olhos castanhos que brilhavam sempre que uma idéia lhe passava pela cabeça e a caneta desenhava em palavras as histórias que ouvia de si mesma. Tremia compulsivamente quando estava nervosa (mas há quem diga que era só abstinência da criação) e tinha uma paixão imensurável pelas estrelas. De dentro da menina, como se viesse da alma, eu via um brilho tão forte que jurava que ela tinha sido feita no céu, parte por parte, emoldurada cuidadosamente às formas de um querubim, e que, em vez de sangue, circulava nas suas veias qualquer coisa de esperança misturada a pó de estrelas. Tinha fases, como a lua, e se perdia em devaneios noite afora conversando com vagalumes sobre o amor. Ah, o amor! Suspirava por ele e, mais que isso,acreditava nele como sua religião. Um dia finalmente o encontrou (ou foi encontrada, como gostava de pensar); e eu, que não pensava mais nessas coisas, ao ver o amor puro da menina lua, passei a também acreditar.

(27.09.2010)

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