o viajante

- Não entendo, sabe… – ficou pensativo. – Essa coisa de estar preso a algum lugar.

Correu os olhos pelo céu azul-anil e, por um instante, sorriu.

- Acho que se perde muito do céu quando se está preso. Como quando a gente anda ocupado demais pra deitar, qualquer dia, no quintal e olhar o céu à noite. – e fez uma careta. – Não conseguiria viver sem as estrelas. Acho que essa é a vantagem de ser o que eu sou, entende? Principalmente as estrelas.

- E o que você é?

- Sou um viajante. – e por um momento seu sorriso pareceu triste. – Viajo entre corações. Já passei por vários, mas nunca me demoro. Por causa das estrelas. – acrescentou.

Ficamos em silêncio por um momento enquanto eu absorvia a beleza daquelas palavras. Mas não parecia certo.

- Acho que as estrelas são um presente glorioso demais pra se aproveitar sozinho. Prefiro dividí-las com alguém.


(19.09.2010)

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