(22.05.2010)
brilha onde estiver
Não sabia onde ela estava. Passara o dia lendo as letras na contra-capa do disco, que tocava repetidamente há meia hora. Tempestade, tanto dentro quando fora do apartamento. Vez ou outra focava o olhar na janela, indiferente às gotas de chuva, como se a qualquer momento ela fosse entrar pela porta e reclamar de alguma coisa qualquer. Fechou os olhos e suspirou. Ela não vai voltar. Sabia. Sentia. Mesmo assim, tentava não acreditar no que sua própria mente e as coisas ao redor lhe diziam. A música parecia, de certo modo masoquista, tentar reconfortá-la. Se levantou, abaixando o volume do aparelho de som a tal ponto que era como se o cantor lhe sussurrasse. Pegou uma xícara de café e encostou-se próximo à janela. Não hoje, não amanhã. Um dia, quem sabe. E sorriu.
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