(24.03.2013)
all of my change i spent on you
Era cidadã do mundo. A mochila nas costas, o mapa nas mãos e milhões de memórias desenhadas no verso dos cartões postais - acompanhados sempre de algo como "ps.: dei de cara com uma livraria charmosinha escondida em meio a umas casas aqui em Montmartre. Cheirava a canela e café... Pensei em você." . E por mais que tudo aquilo fosse o que eu sempre sonhei, faltava alguma coisa. A cada trem, cada ônibus, bondinho ou bicicleta, eu pensava em você. Enfiei a mão nos bolsos e encontrei. A última moeda, o último trocado, a última esperança - o troco do café na Saint Martin. Imaginei uma cena de cinema: a mochila jogada aos pés do telefone público, os olhos fechados tão forte quanto as mãos que seguravam o telefone, contando cada segundo e cada respiração dolorosa até que do outro lado da linha - e do mundo - eu ouvisse o seu silêncio naquele milésimo de segundo em que você se daria conta de que era eu. A moeda não era o bastante, mas aquele pensamento foi. E continuei caminhando até o próximo postal.
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