alice, não me escreva aquela carta de amor

De vez em quando bate uma saudade do dia em que nos conhecemos, no trote solidário da faculdade. Eu rindo por você não ter percebido o resto de tinta na orelha, e você rindo por eu não ter percebido o desenho pornográfico que os meninos do quarto ano tinham pintado na minha testa. Bate uma saudade das guerras de bola de neve e de travesseiro nas férias em Bariloche, das convenções de Guerra nas Estrelas e até das brigas de quando você queria ver novela e eu não largava o controle do videogame e a gente acabava na cama - cada um com uma expressão emburrada na cara e um livro nas mãos. Das noites na cozinha em que um sabotava a comida do outro com pimenta demais e o pessoal da república fazia a gente pagar o delivery da comida chinesa (menos o Baiano, que comia tudo e ainda chamava os meninos de paulistanos frouxos, claro). De vez em quando, bate uma saudade de nós.

(28.07.2011)

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